Sábado, 11 de Agosto de 2012

Camino Primitivo de Santiago - feito como o café daqui: sólo :)

(Esta é uma vagabundagem diferente das demais por uma série de razões. Desde logo pelo inusitado facto de ser feita a solo. E apesar de (por este motivo) não poder ser considerada uma actividade dos Vagabundos, é pelo menos realizada por um dos seus membros, que quis partilhar parte desta experiência. Aqui vão poder encontrar diariamente uma pequena resenha desta nova aventura)

ATÉ LUGO
7h35 - estação de Campanhã. Pela primeira vez desde que realizamos os Caminhos de Santiago, decidi deslocar-me até ao local do inicio de peregrinação em transportes públicos. Prevê-se uma estirada de mais de doze horas, mas penso que será compensatório, até pela experiência. De mochila às costas pelo mundo. Este é um dos sonhos que tenho há muito tempo e esta, será uma bela ocasião para sentir um pequeno perfume dessa experiência.

O comboio está atrasado. Não! Não vou cair na tentação de dizer "vê-se logo que estamos em Portugal"! A previsão indica que serão só 10 minutos e não coloca em risco a minha próxima ligação. Tudo bem...ok, a nova previsão já indica 20 minutos. Afinal ainda vou comer um sandocha. Um pão com queijo custa € 1,65!! Ainda pensei que o homem me fosse servir queijo da serra, mas não. Era queijo fatiado dum hipermercado qualquer...a culpa é minha. Devia ter trazido de casa. Minha e do atraso do comboio, que se tem partido a horas, já não me tentava a vir comer nada :)

Por falar em atraso, afinal vai ser meia horita....mentira! 45 minutos de atraso depois, lá parti em direcção a Tui. O bilhete custou 11€ e depois lá dentro, pagamos mais 3,5€ para ir até Vigo. Graças ao atraso, já não apanhei o das 12h13 em direcção A Corunha. Vou no das 13h05. Paciência! O bilhete custa 14,05€, mas enquanto que do Porto para cá vim num comboio a vapor com motor diesel (!?!), agora vou num comboio todo catita. Não devia ter dormido tanto na primeira viagem. Se sabia tinha-me guardado para agora. A barriguita já reclama, por isso, toca a comer a bola que trouxe da padaria portuguesa. Ah! E a bolacha húngara :) - claro que tinha que trazer disto. Que vício :P

Encontrei grupo de portugueses que vão para Santiago...de comboio!!! Lol. Mas vão todos equipados como se fossem peregrinos. Mochilas, sacos-cama e outras tralhas com aspecto de nunca terem sido utilizadas. Fazem barulho por eles e por todos os portugueses que não puderam vir...não tenho sorte nenhuma!!!

O tempo está merdoso. Deixei o impermeável em casa. Será que me vou arrepender? Afinal ainda guardei algum sono para este comboio. Parece que mesta matéria tenho créditos com fartura. Chegado à Corunha, é hora de procurar a estacão dos autobuses. Na verdade quem tem um iPhone tem tudo. Mapa, GPS e cá estamos nós. Eina, ganda confusão...não há indicações e tem que se perguntar a 7 pessoas para se ter uma informação de jeito...e agora grande seca de mais de uma hora. A camioneta é só às 17h30. Enquanto espero, amarfanho uma sande de tomate e mosarela que trouxe de casa. E as restantes húngaras vão fazer companhia à outra :)

Finalmente saímos. Sentou-se uma senhora ao meu lado que ocupa o lugar dela e mais metade do meu. Já sei como é que se sente uma sardinha dentro de uma lata. Dormi todo o caminho com a tromba colada à janela. Devia parecer aqueles peixes que se colam aos vidros dos aquários a comer o verdete. Ainda bem que ia neste lugar, porque se fosse no dela, acordava no meio do corredor :) o bilhete do autocarro custou 10,10€. Estas informações são para a remota possibilidade de alguém algum dia quere fazer a mesma experiência.

Lugo é uma cidade muito bonita. Tem uma enorme muralha a abraçar a cidade e é muito calma. Ou então foi tudo de férias para outro lado e só cá ficaram os peregrinos :) - e são mais que muitos!! O número ultrapassa os 80, segundo me disse o simpático estalajadeiro. Fala português melhor que eu próprio e tal como a maioria dos Galegos, é a simpatia personalizada. Parece que os peregrinos são tantos que nem tenho lugar no albergue. Ora fo#%$£-se!! Mas também já passa das 19h. Deu-me indicação do Centro Juvenil Lug II, onde vim ter com facilidade graças ao mapa que ele me deu. Mais um estalajadeiro 5* que me deu um quarto onde estou sozinho. Mas paguei 13€!!

Depois, rotina: fazer compras, tomar banho, lavar a roupa (na maquina que aqui não têm tanque), jantar e agora dormir. Hoje vou ter que díspar a night :) - hasta mañana
publicado por vagabundos às 20:23
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Caminho Primitivo - feito como o café daqui: solo :)

(Esta é uma vagabundagem diferente das demais por uma série de razões. Desde logo pelo inusitado facto de ser feita a solo. E apesar de (por este motivo) não poder ser considerada uma actividade dos Vagabundos, é pelo menos realizada por um dos seus membros, que quis partilhar parte desta experiência. Aqui vão poder encontrar diariamente uma pequena resenha desta nova aventura)

ATÉ LUGO
7h35 - estação de Campanhã. Pela primeira vez desde que realizamos os Caminhos de Santiago, decidi deslocar-me até ao local do inicio de peregrinação em transportes públicos. Prevê-se uma estirada de mais de doze horas, mas penso que será compensatório, até pela experiência. De mochila às costas pelo mundo. Este é um dos sonhos que tenho há muito tempo e esta, será uma bela ocasião para sentir um pequeno perfume dessa experiência.

O comboio está atrasado. Não! Não vou cair na tentação de dizer "vê-se logo que estamos em Portugal"! A previsão indica que serão só 10 minutos e não coloca em risco a minha próxima ligação. Tudo bem...ok, a nova previsão já indica 20 minutos. Afinal ainda vou comer um sandocha. Um pão com queijo custa € 1,65!! Ainda pensei que o homem me fosse servir queijo da serra, mas não. Era queijo fatiado dum hipermercado qualquer...a culpa é minha. Devia ter trazido de casa. Minha e do atraso do comboio, que se tem partido a horas, já não me tentava a vir comer nada :)

Por falar em atraso, afinal vai ser meia horita....mentira! 45 minutos de atraso depois, lá parti em direcção a Tui. O bilhete custou 11€ e depois lá dentro, pagamos mais 3,5€ para ir até Vigo. Graças ao atraso, já não apanhei o das 12h13 em direcção A Corunha. Vou no das 13h05. Paciência! O bilhete custa 14,05€, mas enquanto que do Porto para cá vim num comboio a vapor com motor diesel (!?!), agora vou num comboio todo catita. Não devia ter dormido tanto na primeira viagem. Se sabia tinha-me guardado para agora. A barriguita já reclama, por isso, toca a comer a bola que trouxe da padaria portuguesa. Ah! E a bolacha húngara :) - claro que tinha que trazer disto. Que vício :P

Encontrei grupo de portugueses que vão para Santiago...de comboio!!! Lol. Mas vão todos equipados como se fossem peregrinos. Mochilas, sacos-cama e outras tralhas com aspecto de nunca terem sido utilizadas. Fazem barulho por eles e por todos os portugueses que não puderam vir...não tenho sorte nenhuma!!!

O tempo está merdoso. Deixei o impermeável em casa. Será que me vou arrepender? Afinal ainda guardei algum sono para este comboio. Parece que mesta matéria tenho créditos com fartura. Chegado à Corunha, é hora de procurar a estacão dos autobuses. Na verdade quem tem um iPhone tem tudo. Mapa, GPS e cá estamos nós. Eina, ganda confusão...não há indicações e tem que se perguntar a 7 pessoas para se ter uma informação de jeito...e agora grande seca de mais de uma hora. A camioneta é só às 17h30. Enquanto espero, amarfanho uma sande de tomate e mosarela que trouxe de casa. E as restantes húngaras vão fazer companhia à outra :)

Finalmente saímos. Sentou-se uma senhora ao meu lado que ocupa o lugar dela e mais metade do meu. Já sei como é que se sente uma sardinha dentro de uma lata. Dormi todo o caminho com a tromba colada à janela. Devia parecer aqueles peixes que se colam aos vidros dos aquários a comer o verdete. Ainda bem que ia neste lugar, porque se fosse no dela, acordava no meio do corredor :) o bilhete do autocarro custou 10,10€. Estas informações são para a remota possibilidade de alguém algum dia quere fazer a mesma experiência.

Lugo é uma cidade muito bonita. Tem uma enorme muralha a abraçar a cidade e é muito calma. Ou então foi tudo de férias para outro lado e só cá ficaram os peregrinos :) - e são mais que muitos!! O número ultrapassa os 80, segundo me disse o simpático estalajadeiro. Fala português melhor que eu próprio e tal como a maioria dos Galegos, é a simpatia personalizada. Parece que os peregrinos são tantos que nem tenho lugar no albergue. Ora fo#%$£-se!! Mas também já passa das 19h. Deu-me indicação do Centro Juvenil Lug II, onde vim ter com facilidade graças ao mapa que ele me deu. Mais um estalajadeiro 5* que me deu um quarto onde estou sozinho. Mas paguei 13€!!

Depois, rotina: fazer compras, tomar banho, lavar a roupa (na maquina que aqui não têm tanque), jantar e agora dormir. Hoje vou ter que díspar a night :) - hasta mañana
publicado por vagabundos às 19:45
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Sábado, 12 de Junho de 2010

Aventura na Linha do Sabor III

Depois de uma boa soneca e de um pequeno-almoço numa padaria local, o primeiro sítio ao qual nos dirigimos foi a adega cooperativa. Para quê? Nem se devia formular tal pergunta. Obviamente, para comprar Montes Ermos, vinho que é difícil encontrar na nossa região. Antes mesmo da loja abrir, já nós fazíamos fila à porta...

 

Após efectuarmos a compra, lá nos dirigimos à estação de Freixo de Espada a Cinta para iniciarmos o nosso trajecto. Na fase inicial, o traçado era semelhante ao do dia anterior, a partir de determinada altura, passamos a caminhar num trilho liso e arranjado, que será futuramente a continuação da Ecopista já existente.

 

 

Macieirinha - Km 39,2 / 66,2

 

Carviçais - Km 33,5 / 71,9

Esta estação, que mantém ainda todos os elementos originais e que se encontra em estado de conservação muito razoável, decidimos efectuar a pausa para o lanche.

 

Daqui em diante, ficamos um pouco confusos, pois encontramos estações que não estavam no roteiro e outras que aí se encontravam não foram vislumbradas. No entanto, era agora bastante fácil seguir o trajecto e as árvores aqui existentes davam-nos abrigo quase constante para o sol e calor que se faziam sentir.

 

Por estas bandas ainda se faz a recolha de resina por um método bastante tradicional.

 

 

Fonte do Prado - Km 32,8 / 72,6

 

 

Mós - Km 30,9 / 74,5

 

 

Felgar - Km 25,5 / 79,9

 

 

Carvalhal - Km 22,6 / 82,8

Aqui chegados, decidimos almoçar. Daqui até Quinta Nova (que, a propósito, também não estava na listagem das estações e apeadeiros) era um pulinho. Actualmente é onde começa oficialmente a eco-pista. Aqui, o Mário voltou a alinhar connosco, já que o trilho era muito plano. O que mais nos chamou a atenção, foram as paisagens lindíssimas a perder de vista. Mais uma vez, voltamos a passar por estações/apeadeiros que não pertenciam ao “roteiro” original.

 

 

Larinho – Km 16,5 / 88,9

Esta estação, tendo sido recuperada como café, também se encontra em óptimo estado. O percurso foi-se fazendo, de forma tranquila e sem mais acontecimentos dignos de registo.

 

 

Torre de Moncorvo – Km 12,3 / 93,1

Eram cerca de 17:00 quando chegamos à estação de Moncorvo. Esta estação é actualmente utilizada pela Câmara Municipal como armazém (ou mesmo depósito de sucata!).

 

Aqui chegados e analisadas as horas e condições físicas, concluímos que já não havia hipóteses de ir até ao Pocinho. Assim, fomos até um café local, para não deixar morrer a tradição. Mandamos vir um prato de tremoços e umas bjecas, enquanto revíamos mentalmente toda a aventura.

 

Pocinho – Km 0,0 / 12,3

publicado por vagabundos às 08:23
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Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

Aventura nos Caminhos de Montemuro - PR01 Arouca

Apenas os vagabundos Paulo, Luís e Hélder estavam disponíveis para alinhar na tradicional caminhada de Sexta-feira Santa. Às 7:40h, juntaram-se rumo a Arouca, onde após o tradicional pingo, se dirigiram ao Santuário da Sra. do Monte, local onde se inicia este percurso. Eram 9:15h quando começaram a caminhar.

 

Esta é uma rota circular, com uma extensão de 19 quilómetros. Ao fim do primeiro quilómetro há uma bifurcação, no Fojo, pelo que se pode escolher fazer a parte circular começando por Bustelo ou pelo Alto do Coto. Por esta altura, estamos a uma cota de 829 metros e pela nossa frente, encontrava-se uma subida até aos 1222 m, com um declive muito acentuado. Pena que o tempo estivesse um pouco nublado, pois a paisagem para lá da névoa parecia ser deslumbrante. Era pelo menos essa a nossa ideia quando clareava um pouco, o que acontecia cada vez menos, à medida que subíamos. Face à dureza do declive, fomos perdendo um bocado da energia inicial, mas continuamos a avançar a um ritmo impressionante. Quando chegamos ao parque das eólicas, começou uma chuva, que inicialmente pensamos ser apenas uma pequeno ameaço, mas a verdade é que ao fim de dois ou três minutos em que prometia não abrandar, optamos por vestir os impermeáveis. Mais um pouco para cima e eis que chegamos ao marco geodésico. Finalmente, o Luís ficou a saber o que isso é. Pena que o Vítor não estivesse também presente. Teria sido uma excelente lição a dois!

 

O plano inicial passava por almoçar neste ponto, mas a forte chuva e o vento extremamente forte que se fazia sentir impossibilitou que o fizéssemos. Olhando à volta, parecia que estávamos no meio de uma tempestade, daquelas que só se vêem na televisão. Chuva, vento, nevoeiro…

 

Desta forma, começamos a descer, com a esperança que a chuva abrandasse e pudéssemos então merendar em melhores condições. A descida revelou-se uma enorme e divertida aventura. Efectuada por caminho de pé-posto, em virtude da chuva e do denso nevoeiro, praticamente só nos podíamos arriscar a sair de uma marca se estivéssemos a avistar a seguinte. Caso contrário, arriscávamo-nos a sair completamente do trilho. Houve uma ou outra ocasião em que tal não foi possível e tivemos que pesquisar o terreno envolvente. Tal tarefa revelava-se no entanto difícil e até mesmo perigosa. Se qualquer tipo de exagero, podemos dizer que depois de 5 passos dados em direcções opostas, já não nos conseguíamos ver uns aos outros. Era incrível e foi uma verdadeira aventura, que na verdade não desagradou a ninguém. Foi muito divertido fazer esta descida e a adrenalina foi subindo. No entanto, à medida que fomos descendo, foi-se tornando mais fácil seguir o trilho e paralelamente as condições meteorológicas foram melhorando, baixando em muito o índice de imprevisibilidade.

 

Depois de termos descido “tudo”, aproveitamos que já não chovia e optamos por almoçar perto do rio. Depois, voltamos ao caminho e só voltamos a parar para tomarmos um café numa aldeia.

 

Fomos seguindo o nosso caminho sem que a chuva nos atormentasse muito mais, até voltarmos ao ponto de onde tínhamos saído. Foi uma aventura muito porreira.

publicado por vagabundos às 08:27
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Sábado, 13 de Fevereiro de 2010

Aventura no Trilho do Castelo - Vila Pouca de Aguiar

Para esta primeira actividade do ano 2010, reuniu-se um grupo de Vagabundos perfeitamente inédito. Nuno, Paulo, Mário, Luís, Vítor, Marta, Anabela e Hélder. Saídos de diferentes pontos geográficos, lá se encontraram todos para o tradicional pingo matinal, antes de rumarem à igreja onde se inicia esta rota.

 

Logo de início, o declive é acentuado, fazendo esquecer o frio que se fazia sentir e obrigando mesmo a tirar alguns dos agasalhos iniciais. Um dos principais problemas com que nos deparamos não é novo: marcação do percurso muito defeituosa e ausência de documentação que compense essa situação (os prospectos dos percursos disponibilizam pouquíssima informação). Por isso mesmo, a dada altura vimo-nos a passar num ponto onde já havíamos passado!

 

Tivemos que voltar para trás, por um caminho perfeitamente penoso, o que nos deixou um pouco derrotados psicologicamente. Episódios destes repetiram-se mais algumas vezes. De tal forma, que no final, não soubemos dizer qual a percentagem correcta que fizemos do troço.

 

Uma coisa é certa, caminhamos as horas “normais” neste tipo de actividades e pertencendo ou não ao trilho original, os caminhos percorridos foram muito agradáveis, não só pelo magnífico espírito de amizade e companheirismo do grupo, mas também pela beleza dos mantos de neve que fomos vislumbrando. Obviamente que um dos passatempos preferidos nesta actividade, foi quebrar as poças de água congeladas… coisas de criança J

 

No final, estávamos todos cansados, sobretudo psicologicamente, pelo tempo que passamos à procura do trilho correcto, mas o balanço geral era de satisfação, por mais um dia passado em grande camaradagem.

publicado por vagabundos às 08:25
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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Aventura na Linha do Sabor II

Acordamos às 7:15 com a animação habitual, mas fruto do cansaço instalado, o processo de preparação foi lento e só às 8:30 é que tomamos o pequeno almoço. Entretanto, às 8:00, já o Mário e o Luís estavam à nossa espera, com uma disposição e frescura de fazer raiva. Mas o sorrisinho parvo que traziam na cara foi-se esbatendo à medida que os quilómetros foram avançando. Eh, eh, pensavam que era só andar de carro, não?!

Depois da habitual troca de carros, com especial atenção às chaves do Nuno, iniciamos o trajecto às 10:15.

 

Os campos de cultivo tomaram literalmente conta do traçado da linha nos primeiros metros. De tal modo, que tivemos imensa dificuldade em encontrar o traçado. Mas a viagem lá foi seguindo. Sempre com boa disposição, num cenário muito semelhante ao do dia anterior.

 

 

Vilar do Rei - Km 68,8,6 / 36,6

Esta estação encontra-se rodeada de vegetação. Apenas o cais de carga está livre do mato, talvez porque ainda hoje seja usado por algum privado. Planeávamos efectuar a pausa para o lanche matinal aqui, mas como as condições não eram as melhores, passamos a estação e logo à frente, encontramos um pequeno largo com um jardim infantil, onde se tornou mais aprazível desfrutar da merenda.

 

Por esta altura a Cláudia dava sinais de algum cansaço. De tal modo, que antes da estação seguinte, ela resolveu parar. A decisão mais acertada revelou-se ser votar atrás, à povoação mais próxima, chamando depois um táxi que a levasse a ela e ao Nuno, de volta ao local onde tinham estacionado o carro. Ficou combinado, que se encontrariam com os restantes elementos em Bruço, para o almoço.

 

Desta forma mantinham-se quatro vagabundos no trilho e foram estes, que tiveram a sorte de se cruzarem com o Sr. Abdias Lopes. Perguntamos-lhe se também haveria o nome Abnoites, mas ele desconhecia. Nascido na terra e residente no Mogadouro, este simpático senhor estava a colher fruta das suas árvores. Perguntou-nos se queríamos provar uns figos e umas uvas. Nós, claro, dissemos que sim e não nos arrependemos, porque a fruta era simplesmente deliciosa! Mantivemo-nos um pouco à conversa com ele e descobrimos que tinha sido funcionário público no ministério da educação. Explicou-nos que o seu curioso nome era original do Brasil, onde o seu padrinho morou muitos anos.

 

Foi através dele, que ficamos a saber de uma história muito curiosa, relacionada com esta linha. Conta a lenda, que aquando das obras de construção, uma carreta foi largada em Bruçó e devido à inclinação do terreno, veio até Vilar do Rei, tendo andado para a frente e para trás, fruto apenas dos declives entre as duas estações. Terá andado assim um dia inteiro! Quem conta um conto, acrescenta um ponto. Esta terá por certo uns poucos deles J. Esta história já era contada pelas avós do Sr. Abdias, que também lhe disseram que morreu muita gente, na construção desta linha. Segundo elas, o caminho foi aberto a picareta e dinamite, tendo-se registado imensos acidentes.

 

A mãe do Sr. Abdias, actualmente com 94 anos, viu o primeiro comboio que por esta linha passou e nunca, nessa altura, pensou que iria ver o último.

 

Durante todo o tempo em que nos mantivemos na cavaqueira, fomos comendo figos e uvas, de tal maneira que praticamente esvaziamos um balde completo! Mas tudo consentido e até incentivado, pelo próprio Sr. Abdias, que sorria, orgulhoso da qualidade da sua fruta. E bem tinha razões para isso.

 

Mas isto de percorrer linhas desactivadas não pode ser só comer fruta e tagarelar com gente simpática. Lá tivemos que meter as botas ao caminho. Este, revelou-se nesta fase muito complicado, fruto da grande quantidade de pedras e da dificuldade em perceber o traçado. Quando finalmente avistamos a estação de Bruçó, foi um alívio. O Nuno e a Cláudia lá estavam à nossa espera para almoçar. O edifício está como a grande maioria dos restantes, mas não tem tanta vegetação a envolve-lo.

 

 

Bruçó - Km 58,8 / 46,6

Após o almoço, aproveitando a presença do carro do Nuno e da Cláudia, fomos até à população mais próxima para tomarmos um café. Depois disso o Nuno e a Cláudia deixaram-nos, não sem antes levarem o Mário até ao local onde estava uma das nossas viaturas. Isto porque mais uma vez, o seu joelho já dava sinais de cuidados e ele preferiu não arriscar.

 

Desta forma, restaram apenas três vagabundos para seguirem juntos nesta aventura. O Luís, ficou com os bastões do Mário por empréstimo e prometeu visitar todas as lojas de chineses do país, à procura de ferramentas iguais!

 

Este foi talvez o troço mais duro de realizar. O calor apertava e o trajecto era muito difícil. A dada altura, mesmo no traçado da linha, encontra-se uma pedreira. Possibilidade de a atravessar? Nenhuma. A única hipótese foi mesmo contorna-la. Ao faze-lo, encontramos um abrigo de pastores muito catita. Mesmo quando terminamos a “circum-navegação” da pedreira, paramos para tirar uma fotografia. A recta que se estende daqui para a frente é simplesmente impressionante. Na nossa humilde opinião, deverá ter cerca de 1 km de extensão. Mal terminamos de tirar a foto e nos pudemos a mexer, ouvimos uma tremenda explosão vinda da pedreira. Eram só calhaus pelo ar. Ainda bem que já tínhamos passado aquela zona. Caso contrário, os chapéus que usávamos não deveriam oferecer grande protecção!

 

Daqui em diante foi: caminhar, caminhar, caminhar, caminhar, sempre com o mesmo tipo de paisagem e dificuldade. Mato por todo o lado e uma terrível dificuldade em perceber o traçado. Felizmente, quando se começaram a vislumbrar traços de povoações próximas, encontramos um senhor que estava a vindimar. Ofereceu-nos um cacho de uvas e elas eram simplesmente deliciosas. Enquanto as comíamos mantivemo-nos à conversa e descobrimos que era natural da região, mas que reside no Estoril. Tem 3 filhos com bons empregos e diziam-lhe com frequência “oh pai, para que é que fazes isso?”. Ele respondeu simplesmente que se eles fazem o que querem e gostam, ele também tinha o direito! Para descrever o maravilhoso fruto que nos dera a provar, usou uma expressão muito curiosa, “parece carne”. E de facto, pudemos comprovar que a observação não estava desajustada. Ele contou-nos que aquelas uvas dão origem a um néctar chamado Montes Ermos. Com umas uvas desta qualidade, a pomada deveria ser de categoria. Há que fixar o nome.

 

Depois perguntou-nos o que andávamos a fazer. Quando lhe explicamos, disse-nos que a filha também gosta de caminhadas e que as costuma fazer na serra de Sintra. Lá nos despedimos, pois estava a fazer-se tarde e ainda tínhamos uns bons quilómetros a percorrer até chegarmos à estação seguinte.

 

 

Lagoaça - Km 49,4 / 56,0

O Mário estava à nossa espera neste local. A estação, totalmente remodelada, é actualmente utilizada como um bar. Infelizmente estava encerrada. Aproveitamos de qualquer das formas para lanchar neste local.

 

Por esta altura já estava a escurecer. Tivemos receio de nos meter ao caminho nestas circunstâncias. Assim decidimos ir de carro até ao apeadeiro seguinte. Foi aí que encontramos uma foto digna das melhores piadas nacionais. Em altura de eleições, tivemos o prazer de tirar a foto abaixo. Sem comentários J

 

 

Fornos Sabor - Km 47,0 / 58,4

Do apeadeiro, só resta mesmo… isto!

 

De carro até ao próximo ponto, que a tarde está mesmo a terminar.

 

 

Freixo de Espada à Cinta - Km 42,3 / 63,1

A estação está como muitas outras. Mas deverá ter sido muito importante, apesar de ficar a 16 quilómetros da cidade! Não sabemos ao certo que localidades próximas poderia servir, mas o táxi devia ser muito utilizado.

 

Chegados ao centro da cidade com a noite quase posta, dirigimo-nos de imediato ao quartel dos Bombeiro Voluntários de Freixo de Espada a Cinta, que muito gentilmente nos receberam e deixaram utilizar as suas instalações. Nós não somos esquisitos relativamente aos sítios onde pernoitamos. Faz parte do espírito de vagabundo. Mas estas acomodações eram particularmente boas. Um local para dormirmos com beliches novinhos e umas instalações sanitárias fantásticas. Muito e muito obrigado senhor comandante dos bombeiros.

 

De banhinho tomado, lá fomos jantar. Muito sinceramente, nenhum de nós se recorda do nome do restaurante, nem sequer sabemos muito bem o que comemos. Apesar de estar bom! Mas pela primeira vez na nossa vida, antes de entrarmos para nos sentarmos, perguntamos à funcionária se tinham, pasmem, Montes Ermos para beber! Exactamente. Não perguntamos se tinham costoletas à la frige ou peixe aranha marinado em cama de frumel. Perguntamos se tinham Montes Ermos para beber. Fazemos uma pequena ideia da impressão e ideia que devemos ter causado.

 

O que é certo, é que a resposta foi positiva e lá nos sentamos. Durante esse jantar deitamos abaixo 2 garrafas deste delicioso néctar. E fizemos no mínimo uns 37 brindes J

publicado por vagabundos às 08:21
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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Aventura na linha do Sabor I

A linha do Sabor começava no Pocinho (linha do Douro) e terminava em Duas Igrejas - Miranda do Douro, com uma distância de 105,4 Kms. No entanto, optamos por realizar a caminhada no sentido contrário, pelo que daremos indicação dos quilómetros originais e os adaptados ao trajecto de facto realizado (mais informações no post: introdução à aventura na linha do sabor)

 

O plano foi cumprido á risca. Às 4h30 o Paulo e o Hélder estavam a sair de Gaia. Depois de uma viagem sem sobressaltos e de uma passagem rápida pela padaria da Joaninha, em Mirandela, encontraram-se com a Cláudia e o Nuno no Mogadouro, onde eles já tinham pernoitado. Por motivos profissionais, o Luís e o Mário não puderam estar presentes, sendo que o objectivo passava pela sua reunião ao restante grupo no dia seguinte.

 

Depois da habitual dança dos carros, em que o do Nuno ficou no Mogadouro, local onde terminaria a etapa deste primeiro dia, dirigiram-se todos a Duas Igrejas, para dar início ao percurso, o que aconteceu uns minutos antes das 9h. Durante esta viagem, decorrida em amena cavaqueira, o Nuno pediu ao Hélder para guardar a chave do seu carro. A famosa chave que se perdeu na aventura do ano anterior!

 

 

Duas Igrejas - Km 105,4 / 0

Chegados à estação de Duas Igrejas, iniciamos os preparativos para iniciar a caminhada. Comer um bocado de broa da Joaninha, beber um iogurte, tira isto e mete aquilo na mochila, devo ou não levar este acessório… enfim, o normal. Esta deveria ser uma estação lindíssima. Ainda hoje o é. Pena que esteja em mau estado de conservação. Acho que nós portugueses, temos pouco orgulho no que é nosso. E aqui, está um exemplo claro disso mesmo. Não seria de ter orgulho numa construção destas e não deveríamos tentar preserva-la? Esta estação, mantém ainda a traça original, com o ser reservatório, local de cargas e plataforma de embarque.

 

Após darmos as primeiras passadas, apercebemo-nos logo de que o trajecto estava muito difícil de “ler”. Encontravam-se, aqui e ali, pequenos vestígios da antiga linha. Um ou outro monte de pedras, um ou outro parafuso, uma ou outra trave de madeira. Mas tirando isso, tornava-se inclusive difícil, perceber por onde haviam passado os carris.

 

Assim fomos avançando, com períodos a alternarem a evidência clara de que alinha havia estado ali, com outros em que a situação não era tão clara, e em que tínhamos de avançar e recuar para procurar o trajecto, deitando-nos muitas vezes a adivinhar.

 

À semelhança no que aconteceu em edições anteriores, muitas das vezes tivemos que nos manter na margem da linha, pois a vegetação era tanta, que era impossível percorrer o traçado original.

 

 

Fonte da Aldeia - Km 99,7 / 5,7

Como podemos ver pelas fotos, aqui a destruição é significativa, não restando mais que um pobre esqueleto já bastante debilitado. O aspecto da paisagem não variava muito, sendo que alternava zonas um bocado inóspitas, com outras que atravessavam campos de cultivo. Por seu lado, a cavaqueira entre os vagabundos ia mudando constantemente de tema. É engraçada, a maneira como mantemos ao longo de quilómetros e quilómetros, a conversa tão fluida, sobre a mais variada quantidade de assuntos.

Nesta parte do percurso, encontramos duas coisas inéditas até então: uma cancela que parece ter sido patrocinada pela Citroën e o primeiro vestígio de carris desta linha!

 

 

Sendim - Km 94,0 / 11,4

À semelhança da estação de Duas Igrejas, a de Sendim deve ter sido lindíssima noutros tempos. Está neste momento bastante degradada e isolada pelas silvas.

 

O aspecto da paisagem e as dificuldades do percurso não oscilaram muito nesta parte do percurso.

 

 

Urrós - Km 88,3 / 17,1

Esta estação tinha e tem, um depósito de água que impressiona pelo seu tamanho. A estação está de um dos lados, completamente vedada pelas silvas. Por sinal, o mais bonito. Do outro, deixa a nu o estado de degradação que já atingiu. O local de armazenagem de mercadorias ainda deve ser usado ao dia de hoje, provavelmente por particulares, pois está ainda em bom estado de conservação.

 

Como já eram 13h30 e as barriguitas já se iam queixando, decidimos que este seria o local ideal para almoçar. Graças também às excelentes condições acústicas, o Nuno e o Paulo decidiram presentear os restantes vagabundos, com um belo recital que apelidamos de “Música de Cantaria”.

 

Cantaria é a arte ou ofício de canteiro. O nome tem a sua origem no trabalho com pedras para construção dos cantos das casas. Assim, a cantaria consiste em trabalhar pedras utilizadas nas construções antigas, lavradas e esquadrejadas segundo as técnicas da estereotomia. Esta técnica era um pouco ruidosa, algo que criou um paralelo com este tipo de música J

 

Curiosamente, após esta estação, o caminho melhorou muito. Não só se tornou mais fácil de identificar o trajecto, como mesmo a sua transitabilidade se tornou muito mais fluida.

 

Foi neste trajecto que constatamos a existência de vida extra-terrestre. É mesmo verdade. Sabemos que esta é provavelmente uma revelação que vai chocar o mundo, mas tem que vir à luz do dia. Vejam e foto que se segue e comprovem-no pessoalmente   

 

Algures entre Urrós e a Variz, deveríamos ter encontrado a estação ou apeadeiro de Sanhoane. Soa estranho, não soa? Mas é mesmo assim! Mas o que é certo, é que não vislumbramos nem vestígios de tal local. Das três uma, ou foi deitado a baixo, ou estava completamente camuflado pelas silvas ou era um monte de pedras para o qual olhamos e por acaso questionamo-nos: o que seria isto? A resposta mais provável? Era provavelmente a estação dos caminhos de ferro com o nome mais estranho de todó Portugal.

 

 

Sanhoane - Km 81,5 / 23,9

 

 

Variz - Km 78,0 / 27,4

A tarde ia passando de forma agradável. O percurso era por esta altura amigável e apenas a quantidade de quilómetros percorridos começava a causar alguma moça. Por isso, chegados a esta estação, decidimos lanchar e descansar um pouco as pernas e os pés.

 

Esta estação ainda dispõe de todos os seus elementos base e parte dela ainda está com um aspecto muito razoável. Para acedermos mesmo à estação, tivemos que atravessar um terreno que mais parecia particular. Mas em boa verdade, o que de facto se passou, foi que o terreno público da estação foi “transformado” em particular!

 

Daqui em diante, o caminho foi feito pelo meio dos campos. Alguns cultivados, outros a monte. Foi neste troço que nos cruzamos com um pastor que levava o seu rebanho de volta a casa. Foi uma conversa engraçada, onde pudemos trocar experiências de realidades de vida muito diferentes. Teve a sua piada quando ele nos perguntou se não tínhamos medo de andar por ali, ao que lhe respondemos que medo, por vezes, temos de andar nas nossas cidades. Afinal de contas, que mal nos pode acontecer no meio da natureza?

 

 

Mogadouro - Km 72,6 / 32,8

Chegamos por fim à estação que concluía a aventura deste dia. Eram 18h30 quando chegamos. Estávamos entretidos a ver o interior da estação, ou do que resta dela, quando o Nuno, já em tom jocoso, pergunta ao Hélder pela chave do carro. Ao que este, e lembrando-se de que aquela chave se tinha perdido na caminhada do ano anterior, lhe respondeu com toda a calma do mundo: “Sem stress, está bem guardada. Está no meu carro”

 

Mal acabou de completar a frase, apercebeu-se do ridículo da situação. É que o seu carro, tinha ficado 33 quilómetros afastado, em Duas Igrejas! Conclusão, estávamos no Mogadouro, tínhamos um carro à porta da estação, cuja chave estava dentro de um outro carro a 33 quilómetros de distância! Que Tansos. Estivemos a rir-nos da situação uns bons 5 minutos sem parar.

 

Bom, caminhada que é caminhada, não pode dar-se ao luxo de não envolver um táxi. Desta forma, lá fomos a uma casa em frente à estação, solicitar que nos chamassem um táxi que nos levasse a Duas Igrejas.

 

Quem nos calhou em sorte, foi o Sr. Ernesto Fernandes, taxista há largos anos. A sua especialidade? Transporte de bruxos. É verdade, durante todo o trajecto contou-nos imensas histórias de situações da sua vida profissional em que transportou videntes e outros artistas do género.

 

Já na “posse” dos dois carros, lá nos dirigimos à corporação dos Bombeiros Voluntários do Mogadouro, a quem gostaríamos de agradecer, por nos terem permitido tomar um belo banho retemperador. Depois saímos para jantar, no famoso restaurante A lareira, onde trinchamos uma bela posta. À saída, recebemos um telefonema que nos deixou com enorme satisfação, pois foi a confirmação de que o Mário e o Luís se juntariam ao restante grupo na manhã seguinte. Posto isto, fomos descansar, pois o dia seguinte haveria de ser duro.

publicado por vagabundos às 08:18
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Sábado, 15 de Novembro de 2008

teste

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publicado por vagabundos às 16:19
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